O estranho caso do Município que gastou quase R$ 10 milhões em combustíveis

 O Município que Abasteceu a Imaginação

Por Gazeta da Mata


Esta é uma Crônica de humor, qualquer semelhança é mera coincidência. Não fazemos citações diretas, a analogia fica por conta do leitor. 

Em um pequeno município, tão pequeno que se chamava "Pequenópolis". Mas não se engane, o que lhe faltava em tamanho, sobrava em ambição. E combustível.

Pequenópolis tinha um sonho: dar 430 voltas ao redor do mundo. Não literalmente, claro. Mas quando as contas vieram a público pelo portal da transparência e todos viram que haviam gasto quase 10 milhões em combustíveis, a população começou a fazer as contas.

Com 1.730.103 litros de combustível, considerando que cada litro poderia mover um veículo por 10 km, Pequenópolis poderia ter percorrido incríveis 17.301.030 quilômetros! Isso daria para dar 430 voltas ao redor do mundo — que tem aproximadamente 40.075 km de circunferência — e ainda sobraria combustível para explorar a lua (se houvesse estradas por lá).

Os cidadãos ficaram perplexos. Onde estava toda essa gasolina? Os carros oficiais pareciam os mesmos, as ruas continuavam com os mesmos buracos e o único veículo que viajava tanto era o ônibus escolar, que fazia a rota "casa-escola-casa" com uma frequência que faria qualquer piloto de Fórmula 1 invejar.

Rumores começaram a surgir. Diziam que o Município estava tentando inventar o primeiro carro voador movido a gasolina e que os testes estavam sendo feitos em segredo. Outros afirmavam que o combustível era para alimentar um foguete que levaria Pequenópolis ao espaço, tornando-a a primeira cidade intergaláctica.

Mas a verdade era mais simples e hilária. O contador do município, que era conhecido por sua miopia, havia confundido os zeros e acrescentado alguns a mais no relatório. O município não havia gasto milhões, mas sim milhares, e as voltas ao redor do mundo teriam que ser feitas na imaginação dos moradores.

No final das contas, Pequenópolis não ganhou um carro voador nem uma viagem à lua, mas ganhou histórias para contar e risadas para compartilhar. E talvez, só talvez, o Município tenha aprendido a importância de uma boa revisão contábil.

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