A cereja, o melhor sempre fica para o final
Por Gazeta da Mata
Esta é uma Crônica de humor, qualquer semelhança é mera coincidência. Não fazemos citações diretas, a analogia fica por conta do leitor.
Era uma vez um confeiteiro que, como um maestro diante de uma orquestra, comandava sua cozinha com precisão. Seus bolos eram famosos, não apenas pelo sabor, mas pela espera que provocavam.
Cada bolo era uma sinfonia de sabores que se desenrolava lentamente, com cada nota doce sendo cuidadosamente colocada em seu devido tempo.
O confeiteiro sabia que a pressa era inimiga da perfeição. Por isso, não se apressava. A massa tinha que descansar, o crème tinha que assentar e o povo tinha que esperar!
Afinal, o triunfo, o "gran finale" era o objetivo.
O glacê tinha que brilhar sob a luz certa antes de ser considerado pronto. E então, quando todos pensavam que a obra estava completa, ele revelava seu segredo: a cereja.
Ah, uma cereja! Vermelha como o rubi mais precioso, brilhante como a estrela mais distante. Ela era colocada no topo do bolo como um selo de excelência, um símbolo de que o melhor realmente vem por último.
Mas essa cereja não era apenas um enfeite, era uma crítica. E para que a cereja seja apreciada o bolo precisava ser produtivo, pois não adianta apenas fazer, precisa ser consumido e apreciado.
Uma crítica às obras que se arrastam por anos, prometendo muito e entregando pouco. Às construções que se prolongam tanto que se tornam parte da paisagem, esquecidas até que, finalmente, são concluídas para atrair olhares curiosos.
O confeiteiro via a cereja como um lembrete de que, não importa quanto tempo leve, o final deve ser memorável, deve ser uma celebração, deve ser... "A cereja do bolo".
E assim, em cada bolo que fazia, o confeiteiro deixava sua mensagem.
Esta Crônica é uma crítica velada as obras que falham em guardar o melhor para o final. Pois a espera deveria sempre valer a pena, e o ápice de qualquer criação deveria ser tão doce e satisfatório quanto a cereja que repousa, orgulhosa, no topo de suas obras-primas.

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